sábado, 29 de junho de 2013

afinal, como será a dona morte?


nunca estamos preparados para a morte.
dela temos medo, despensamos.
apesar do convívio pacífico com a vida,
é difícil aceitar que a morte virá
para nós mesmos, para quem amamos,
para ricos ou pobres,
para qualquer um que respire.
um dia vem ela,
fria, calculista,
por vezes repentina,
sem despedidas,
sem serpentina.
ou agonizante, demorante, desejada, odiada.
ela vem.
queira ou não,
por mal ou por bem,
ela vem.
não gostei dela esses dias...
levou minha mãe natureza
e fiquei extremamente triste.
é...a gente insiste
em aceitar as conformanças,
as palavras de inspiração,
os desígnios...
mesmo assim faz mal.
durante o banho as águas se misturavam.
doces e salgadas.
era um lamento,
um refutar do tempo antecipado,
uma saudade estranha do passado,
uma esperança no que seria.
a mãe natureza descansa.
e eu não me canso:
dona morte é uma tresloucada que erra o caminho de vez em quando
e vem passar por onde ninguém quer!
dona morte com suas maçãs protuberantes,
sua capa preta e uma foice à tiracolo.
dona morte...vá plantar batatas!
venda a foice porque batata não se colhe assim.
afinal, como será a dona morte?
azul, amarela ou vermelha assim?
dona morte malvinda aqui!
passe rápida!
deixe a dona vida se esbaldar!
ela quer fazer pão de queijo,
ela quer cantar,
ela quer voar!
ela quer, apenas, despedir-se com um beijo!

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