segunda-feira, 6 de agosto de 2018

quem não tiver pecado que atire a primeira pedra!


ele morava num lugar onde choviam pedras e não canivetes,
o clima era tenso pois a regra para não ser apedrejado
era não se lembrar que existiam pedras.
um simples piscar de olhos
e a lembrança
era o suficiente para que uma pedra
explodisse na frente da gente.

quem chegava na cidade, enquanto não se acostumava,
andava com a cabeça sangrando, hematomas,
coisas quebradas corpo afora.
e a pedrada era repentina e dura,
dentro de casa, no trabalho ou na escola,
ninguém escapava dessa maldição.

poderia ser chuva de meteoritos,
de chocolates suiços,
de sandubas ou doritos,
mas não, era de pedras,
pedrinhas ou pedrões.

interessante é que algumas pedras,
milésimos de segundos antes de atingir sua vítima,
se espatifava em pedacinhos
e fazia mais que um quebra-cabeças:
quebrava tudo!

quem não tem pecado que atire a primeira pedra!

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