sexta-feira, 20 de março de 2020

na quarentena a casa fica pequena.


na quarentena a casa fica pequena.
ontem conheci o quintal e dei uma volta
nos cantos por onde não costumo passar.
achei o quintal meio sem sal.

cada dia uma gaveta, uma poeira de meses,
e, algumas vezes, uma tomada quebrada.
os profissionais também estão em suas casas,
cuidando dos seus espetos de pau.

a gente se aterroriza
quando começa a pintar coriza:
__vamos levar pro hospital?
__hospital agora não é legal...
__mas tá passando mal!
__os sintomas precisam ser convincentes.

tudo parado, tudo fechado,
mas as propagandas de compra on line
e a venda de álcool em gel estão em disparada.
o dólar também não quis se aquietar.

precisei comprar frutas e verduras
e fui num sacolão mais calmo.
ledo engano!
todos se empurrando!
banana amassada, alface pisada, manga verde:
nada ficava nas bancas.
essa correria toda me deu sede,
mas o preço da água tá de amargar.

ainda não fecharam os supermercados, sacolões e açougues,
dali podemos levar o vírus para nossa quarentena.
bom, que seja compra virtual mesmo.
tudo é medo, tudo é terror.
algumas pessoas postam áudios de whatsapp
que são aterrorizantes.
e lá vem as fakenews,
sempre tão comprometidas com a verdade.

o plano de enfrentamento ao covid-19
no brasil já sai na vantagem, pois tem
na retaguarda as experiências asiática
e europeia.
não podemos repetir os mesmos erros.
foi terrível acompanhar o sofrimento
dos chineses, tá sendo terrível
acompanhar o sofrimento italiano.
2020: estamos parados nesse ano.

enquanto isso, livros nunca lidos,
fim dos compromissos, da agenda louca,
nem missa, da malhação na academia,
do bate papo no buteco, do racha na quadra azul.
tem que ser assim, de norte a sul,
uma luta diária contra essa pandemia.

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