terça-feira, 22 de setembro de 2026
Sem saber de nada e de ninguém, mas com fome.
Era um almoço ou jantar? Ainda não sei, mas recordo-me claramente que eram centenas de panelas enormes com grandes quantidades de comida.
Todos os pratos deveriam estar quentes, mas estavam frios. As panelas se perdiam no saguão infinito. Mas o mais interessante é que não havia clientes e nem funcionários. A impressão que tive era que algo temeroso estava por acontecer e todos abandonaram o local. De qualque modo, chegamos para comer. Não faço ideia com quem eu estava acompanhado, não vi rostos. Mas estive em uma mesa com aquelas pessoas. O restaurante gigantesco e apenas uma mesa ocupada. Fui buscar carne para dividir com alguém que não sei, peguei uma carne mal passada, cortei ao meio e coloquei no meu prato. Senti o cheiro e a testura mas, peraí: eu não como carne! Que diabos estou fazendo com o prato cheio de carne mal passada em um restaurante fantasma? Animais mortos e gentes também? O que é isso? Não tive resposta. O silêncio era assustador. Nenhum talher batendo no prato, nenhum copo se enchendo de vinho, nenhuma palavra, só as panelas enormes, a fartura, a comida fria e aqueles corpos sem rostos me acompanhando. Mantive-me frio e calculista, não comi, não bebi do vinho exposto, aliás, não fiz conta e, mesmo que tivesse feito, a quem pagaria? Saí daquele lugar estranho assim como entrei: sem saber de nada e de ninguém, mas com fome.
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