sábado, 15 de novembro de 2014

uma explosão o dividiu em 72 pedaços.


o homem bomba decidiu que havia chegado a hora.
sonhava a muito tempo com o dia de passar dessa para melhor
levando junto uma tonelada de infiéis.
se preparou com um extremista que nunca havia se matado.
ouviu histórias lindas do harém que esperava os mártires da causa.
na verdade, não soube de ninguém que, por acaso, havia voltado do além
para falar desse harém,
mas o que se afirmava era que, quem ia, jamais voltava!
afinal, não é todo dia que se encontram reunidas 72 virgens para apenas um cabra.

nas aulas teóricas conheceu mais sobre a sua fé.
empolgava-se com a ideia do martírio mas ia a loucura quando ouvia falar do harém.
era jovem e muito tímido, de uma introspecção de dar dó.
pedir informação na rua pra algum estranho?
nem pensar! passava dias sem chegar em roma mas não falava!
fome, frio, chão...quantas vezes não se viu escravo de sua própria condição?
mas a força da juventude deixava seus hormônios à flor da pele.

do mestre ouvia lindas histórias de amor além morte,
mas também descobriu que era certo o ódio.
foi levado para um descampado donde treinam terroristas.
terrorista? não! não sou terrorista! sou um homem concentrado na luta contra as heresias
e dominações ocidentais que aculturam nosso povo!
o discurso sempre tão severo e a rigidez do treinamento se aliviavam
quando, no pensamento mais profundo, se repetia a imagem das 72 mulheres
envoltas em véu de cores claras, na sombra da tenda e no abanar do eunuco,
o único homem que se imaginava dividindo a morada celestial.

depois de muito ferro e aço, é chegado o grande dia!
muniu-se de um cinturão de mais de 30k,
disfarçou bem disfarçado com panos sobrepostos,
cada um mais dobrado.
atravessou a fronteira na cacunda de um jegue.
chegou ao destino: uma escola.
esperou a hora da saída e entrou no meio dos alunos.
no meio do empurra empurra puxou a cordinha e...
bum!
uma explosão o dividiu em 72 pedaços.

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