segunda-feira, 15 de novembro de 2010

à pagar.


lápis e papel sobre a mesa
vamos comer um bife à milanesa
enquanto desenhamos o sonho
da casa própria.

faça de conta que sabes
que a parte de baixo é porão ( e não sótão)
que a dispensa é para lixos ( e não comidas)
e que o metro quadrado tá muito quadrado.

traga-me uma borracha!
não consigo tragar esse muro aqui ó...
tira!
põe aqui uma árvore que dê frutos.
e de baixo, uma sombra onde eu possa descansar de vez em quando.
quando?
quando você puder.

o que seriam das janelas
se não fossem sol, chuva e vento?
e das grades se não fossem os ladrões?
seguros, cercas elétricas e arames farpados.

coloquemos cores vivas
para atrair também os beija-flores.
e luzes que sejam frias.
no telhado, vozes.
no portão, uma catraca.
no banheiro as águas de março.

pegue um apontador...
meu lápis já era...
tem muita coisa ainda
e é tudo tão simples...
nada de caneta!
quero poder desenhar e apagar,
desenhar e apagar...
desenhar e apagar...

à pagar.

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