quinta-feira, 1 de outubro de 2026

Admirados com tanta beleza post mortem

As sepulturas eram bonitas e bem cuidadas, aparentemente, cemitério de gente morta rica. Meus olhos corriam pelo espaço, admirados com tanta beleza post mortem. Abaixo da parede que sustentava uma escada, algo me chamou a atenção, uma pequena fresta, por onde olhei e vi que algo ainda maior se escondia. Puxei a parede e meia porta de abriu, entrei e era uma câmara mortuária, vi que era uma parte oculta daquele lugar, com lápides que apontavam os anos sessenta, muitas imagens sacras e uma do Batman, aliás, uma grande imagem do super herói dos quadrinhos. E a versão era sessentista. Enquanto ainda admirava a beleza do lugar escondido, um grupo de mulheres adentrou o local secreto. Começaram a mexer em tudo e fazer fotos. Entrei na frente delas e disse que não poderiam estar ali, que estáva fazendo a manutenção. Elas compreenderam e foram embora. Baixei a porta para que ninguém mais entrasse. Nesse momento, dei alguns passos para frente e encontrei uma porta que levava a um cenário paradisíaco. Colinas e plantações de trigo. No próximo ato, eu ja estava em um estúdio de TV, cujo repórter analisava, em um gráfico altamente tecnológico, o roubo de terras naquele lugar. Fiquei sem entender e só continuei no meu sono padrão.

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Sem saber de nada e de ninguém, mas com fome.

Era um almoço ou jantar? Ainda não sei, mas recordo-me claramente que eram centenas de panelas enormes com grandes quantidades de comida. Todos os pratos deveriam estar quentes, mas estavam frios. As panelas se perdiam no saguão infinito. Mas o mais interessante é que não havia clientes e nem funcionários. A impressão que tive era que algo temeroso estava por acontecer e todos abandonaram o local. De qualque modo, chegamos para comer. Não faço ideia com quem eu estava acompanhado, não vi rostos. Mas estive em uma mesa com aquelas pessoas. O restaurante gigantesco e apenas uma mesa ocupada. Fui buscar carne para dividir com alguém que não sei, peguei uma carne mal passada, cortei ao meio e coloquei no meu prato. Senti o cheiro e a testura mas, peraí: eu não como carne! Que diabos estou fazendo com o prato cheio de carne mal passada em um restaurante fantasma? Animais mortos e gentes também? O que é isso? Não tive resposta. O silêncio era assustador. Nenhum talher batendo no prato, nenhum copo se enchendo de vinho, nenhuma palavra, só as panelas enormes, a fartura, a comida fria e aqueles corpos sem rostos me acompanhando. Mantive-me frio e calculista, não comi, não bebi do vinho exposto, aliás, não fiz conta e, mesmo que tivesse feito, a quem pagaria? Saí daquele lugar estranho assim como entrei: sem saber de nada e de ninguém, mas com fome.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Algo fantástico aconteceu: Messi puxou assunto!

O Messi apareceu correndo na sala da recepção, aparentemente, fugia da multidão. Ele encostou em pé no canto da sala, fiquei surpreso em ver o maior futebolista da história recente, sei, como bom brasileiro, que ninguém supera o Pelé. Enquanto eu continuava o atendimento, pensei em puxar assunto com o craque, mas achei que seria invasivo, afinal, já estava fugindo do assédio dos fãs. Bem, nem sou tão fã assim se futebol, o Brasil perdeu e eu segui tomando o meu café. Algo fantástico aconteceu: Messi puxou assunto! Em espanhol, perguntou como eu estava e qual era o meu trabalho. Usei meu portunhol na resposta. Ele continuou na boa prosa, então fiquei mais a vontade para conversar. Nesse momento, questionei: Messi, ja ganhastes la plata suficiente, por que não te aposentas e vaia descansare? Assim mesmo que falei. Messi me olhou, não respondeu e saiu correndo. Em outro plano, vejo-me em uma mesa ao lado do presidente Lula. O assunto era o mesmo: futebol. Lula disse que o Brasil perdeu por falta de craque e que estava pensando no Bolsa Craque. Depois disso, não me lembro de mais nada. Momento onírico.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Sua lindeza não reside no dedão do pé, então, está tudo bem!

Ela é linda e forte, para fazê-la chorar, nem arrancando-lhe a unha do dedão do pé direito. Para isso, passa no hospital e solicita ao médico que cuida de pés, o pediatra, que dê uma costurada na unha, de maneira bruta e sistemática. A unha arrancada no chute em falso, é colocada de volta no lugar. Sem choro ou desespero. No meio disso tudo, o maior pesadelo é chegar com aquele dedão pelado na praia. Como visitar o Morro do Careca? Sua lindeza não reside no dedão do pé, então, está tudo bem! As férias vem em passos firmes, com hora marcada e voo direto! Ninguém mais será penalisado! Nem o Brasil! Que passemos longe! Passemos para as quartas, semis e cheguemos ao gran finale! Que copa que nada! Eu quero é beijar a minha esposa! Já li isso antes.

Os mortos da Venezuela não são os mortos de Nova Iorque.

Os mortos da Venezuela não são os mortos de Nova Iorque. Nem tão pouco de Paris ou Londres. Os mortos da Venezuela vão para um lugar ao sol e por ali ficam, à espera dos urubus. Não há planos contra terramotos em países onde a preocupação é não morrer de fome. A Venezuela, vivendo sob uma ditadura chavista há tantos anos, fez com que tantas gentes fugissem para Colômbia, Brasil e outros países. Uma fuga desesperada por liberdade, trabalho e renda. Uma fuga por dignidade, algo escasso em ditaduras. Mesmo com todos os problemas internos, o país governado por Maduro, sucumbiu a mais um duro golpe vindo dos Estados Unidos da América. Invadiram o país, mataram toda guarda presidencial e sequestraram o presidente e sua esposa. Certamente (e claramente) o interesse estadounidense é o petróleo. Produto abundante no país latino, mas que não trouxe riqueza para grande massa de pobres. “Vamos devolver o petróleo a quem pertence!”, bradou Trump, o homem por trás da política de quintal mais escalabrosa dos últimos anos. Devastada pelo terremoto, luto, dor e sofrimento são inseparáveis. Centenas de mortos e milhares de desaparecidos. Famílias inteiras sucumbiram ao tremor de terra, sequer ficou alguém que possa reivindicar essas histórias. Esse é o momento de os Estados Unidos invadirem novamente a Venezuela, dessa vez com equipes de resgate e ajuda humanitária. Será que retribuirão com um pouco de petróleo? Os corpos latinos, despejados pelo chão, soterrados em escombros, finalmente, encontraram liberdade. Os sobreviventes de Caracas e La Guaira esperam pelo milagre de Guadalupe, não dá para esperar nada da senhora Rodrigues ou do senhor Trump. Deus Salve a Venezuela.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

É o pastor, o pai do pastor, é o banco da igreja, é o banco banco

O caso do Banco Master escancara o jogo do poder. O poder do dinheiro e da oração. o Master deixa claro como a fachada de uma igreja pode esconder tanta coisa obscura, intocável, confiável, abominável, asquerosa e repugnante. Sob a alcunha de um pastor, milhões de ovelhinhas e ovelhonas sumiram. Os Estados e Municípios, levados pelo lob político, compraram, investiram e acreditaram em tudo. É Vorcaro..., essa brincadeira saiu cara meu caro... Agora, depois de mortes e sumiços, depois de vazios existenciais, de apartamentos luxuosos, carros e voos inexplicáveis de jatinho, não tem delação que valha. A classe política e os magnatas do dinheiro estão assustados: será que isso vai dar em algo? Daniel na cadeia supera a cova dos leões. Homem intocável! Privilégios estreiam no sistema prisional com a chegada do pastor das ovelhas perdidas. A lama escorre e mancha as barras do poder. As eleições estão comprometidas até outubro. O Brasil não é nunca será para amadores, aqui, o crime se reiventa dia a dia, ai daquele que diz que é feliz porque já pegou as manhas. Não é tão fácil assim. Enquanto as forças de segurança puderem agir sem intervenção do alto, talvez cheguemos em algum lugar. É o pastor, o pai do pastor, é o banco da igreja, é o banco banco, é a tinta, é a ovelha perdida, a ostentação quase evangélica de sucesso e abundância material. Tudo, exatamente tudo, do jeitinho que Jesus Cristo Nosso Senhor ensinou. Em um passado não tão distante, muita gente no Centro Oeste brasileiro caiu no conto do vigário master, ops, da Avestruz Master. Quase uma deusa dos ovos de ouro! Um bicho que, de tão sagrado e caro, fazia inveja no Vorcaro! Até o cocô da avestruz, a Master, era raro como os metais de terras raras. Investidores, super empolgados, compraram algumas cabeças da ave, alguns ovos, pés, casca, enfim, depois, quem não comprou não se arrependeu, mas teve muita pena. O caso Master de hoje é muito mais cruel. Ele veio abençoado pelo governo, sob os olhares dos órgãos fiscalizadores que, por alguns motivos, deixaram a coisa rolar e rolar e rolar. Hoje, enrolados, tentam se explicar. O dinheiro sumiu. E grande parte dos bilhões são da previdência de cidades pequenas, em sua grande parte. São de estados falidos pela falta da arte, pela falta de pudor e pelo excesso de corrupção. Faltou fé nesse povo da igreja, faltou amor, falta honestidade. Quse sejamos, no mínimo, bons eleitores.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Vou ir me visitar

Estava chegando em um ônibus barulhento na cidade de Uberlândia no ano de 1975. Passamos por uma área aonde estava tendo um show do Roberto Carlos, ele no auge da fama, passamos por um grupo de centenas de jovens mulheres trajando longos e curtos vestidos, todos floridos, cada uma mais bonita que a outra. Parecia uma competição. E era. Estavam todas correndo porque do palco anunciavam que o Rei Roberto tiraria foto com as mais bonitas. Ieieieiê. De dentro do ônibus, eu estava meio abobado, admirado com aquilo que estava vivendo: meu Deus?? Voltei no tempo?? Pela janela em meio ao ruído e cheiro de óleo diesel, admirava a paisagem. Os carros típicos dos anos 70, alguns carros mais antigos. Uauuu! Passamos em frente a minha casa, a casa da minha família… Pensei: devo ser muito fofo! Vou ir me visitar e sugerir de fazerem algumas fotos. Muitas fotos minhas e dos meus pais, irmãos… como a casa está nova! O pequeno muro, as árvores enormes no quintal…uau….. mas o ônibus passou direto e parou bem em frente ao velho aeroporto. Desci atônito: estou de volta para o passado! E como soubesse o que deveria fazer, parei em frente a lanchonete, bem no cantinho do saguão com uma pequena porta voltada para o terraço. Olhei lá fora e vi pequenos aviões estacionados e muitas mesas e cadeiras dispostas. Fiquei em frente a lanchonete mas não tinha balconista. Um grupo de passageiros chegou e ninguém apareceu para atendê-los. Cadê o balconista? Passei para dentro e falei para os passageiros clientes: sejam bem vindos! Um deles já estava enfiando a mao e pegando uma chicara para se servir com um café. Os demais também queriam café. Fui servir, mas não achava chícaras pequenas. Parei pensando como faria para fazer as fotos da minha família e minha mesmo. Colocaria um disfarce? Acordei com a minha filha jogando um celular sobre a cama. Não deu tempo de ir em casa. Seria fantástico!

Frankstein, Einstein ou Epstein?

Frankstein, Einstein ou Epstein? Uma coisa é certa: de tudo, tem. O Frank era para ser lindo e maravilhoso, mas, a aparência monstruosa assustava as meninas. Só assustava, pois ele não era capaz de fazer mal a ninguém. O Einsten ajudou a criar a bomba, jogada sobre duas cidades japonesas, matou milhares de meninas, homens, mulheres, meninos, bebês, cães, gatos e passarinhos, além de toda sorte de vida debaixo dos cogumelos de fogo. O Epstein era um monstro com cara de bon vivant, gente bem relacionada com quem tem dinheiro, fama ou realeza. Epstein era a própria bomba. Um estouro e o presidente cai. Uma ilha, muito dinheiro e faro aguçado para meninas e meninos, teenagers, oh my baby! Pedofilia liberada entre os homens do poder e dos holofotes. Os arquivos liberados são apenas o pavio. Quem te viu, quem te vê! O dinheiro, poder e influência agora são armas de blindagem, afinal, quem quer perder a reputação? Uma história sustentada pelo discurso conservador de pátria, família e deus, normalmente, revelam mais que tudo isso. Para manter as aparências fazem de tudo: pregam coisas bonitas, sobem montanhas, visitam do papa ao buda, mas no fim, algo é cilada. As imagens com tarjas pretas seguem bombando nas redes, mas tem quem não queira ver ou quem jamais verá novamente. Pessoas traumatizadas ou pessoas que morreram por causa dessa famigerada ilha. Enquanto a bomba quase explode, a fumaça ja está por todo lado nos EUA. Os agentes do ICE são os novos ícones da SS. Os sujeitos, preferencialmente recrutados entre grupos supremacistas e neofascistas, tem autorização para perseguir, cercar, invadir, prender, humilhar, sumir e matar, imigrantes ou não, nem pense em bater de frente com os caras encapuzados. Eles seguem uma regra clara: eles são o poder. A nova velha forma de demonstrar poder, xenofobia, misoginia, homofobia, etc. Tudo isso sob os olhares permissivos do estado e da massa docilizada que apoia a barbárie. Quem tem compaixão, quem denuncia, quem protege, torna-se alvo também. Censura, cadeia ou morte. Enquanto o pavio vai queimando, o mau cheiro supita pelo salão oval da casa branca. Dios bendiga a América!

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Mulher é presa em Uberlândia por difamar policiais nas redes sociais

Vejamos esta notícia: "Mulher é presa em Uberlândia por difamar policiais nas redes sociais Do UOL, em Brasília 28/06/2025 17h04 Uma mulher foi presa em flagrante na quinta (26), em Uberlândia, após deixar um comentário em uma publicação sobre a operação Escobar, realizada pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). O que aconteceu No comentário deixado no perfil 'Depressiva Udia', a mulher escreveu: "Até parece que a polícia não vai ficar com a grana e vender as drogas e armas". A publicação era sobre a operação para desmontar uma organização criminosa de tráfico de drogas. Jovem foi levada à delegacia assim que as polícias identificaram o post. A polícia civil de Minas Gerais informou ao UOL que a delegada plantonista questionou se mulher tinha alguma denúncia a ser feita contra as corporações. Ela negou e disse que estava arrependida. Infração foi registrada como difamação por ofensa a honra das polícias. No dia seguinte, a mulher publicou retratação na mesma publicação marcando os perfis da polícia militar e civil de Minas Gerais. Mulher disse que o comentário foi mal interpretado e reconheceu a repercussão negativa. A jovem afirmou ainda que não tinha a intenção de desrespeitar os profissionais que atuam na segurança pública." Ahhh moça! Isso, de fato, não é coisa que se faça! Baseado em quê você decidiu difamar os policiais? Bom, nesse caso, vale uma análise do histórico que temos, do senso comum e da sensação de impunidade diante da grande quantidade de crimes que assolam a cidade de Uberlândia: do roubo de fiação aos homicídios, a baderna de motoqueiros, ruas tomadas por jovens embriagados e casas arrombadas. Infelizmente, é fato que a corrupção policial existe e que até a formação de milícias não é surpresa pra ninguém. Talvez, baseada no retrocesso de notícias envolvendo crimes e investigações, casos de exoneração e até prisão de autoridades policiais, a moça julgou pertinente e fez a postagem. Certeza que ela não imaginou que alcançaria tamanha importância, afinal, a cidade tem coisas muitos mais absurdas em andamento. Ela não pode ser penalizada pelas informações que chegam até ela e que formam a base para uma impressão ou um preconceito sobre as forças policias. É o que se ouve por aí! Já com receio de também ser chamado para esclarecimentos, pontuo que admiro as forças policiais e que, certamente, acontece o que acontece em qualquer outra profissão: existem os bons e os maus profissionais, e, por causa dos maus, os bons acabam pagando a conta. Quer seja com intervenções pejorativas nas redes sociais ou xingamentos pelas ruas. Mas... olhem apenas algumas manchetes de uma pesquisa rápida feita no Google com a seguinte ordem: CASOS RECENTES DE CORRUPÇÃO POLICIAL EM UBERLÂNDIA: "Operação Águia: Gaeco combate corrupção policial e lavagem de dinheiro em MG e PR São cumpridos 32 mandados de busca e apreensão, bem como 13 de prisão preventiva. Policiais e empresários estão entre os principais alvos das investigações. Por Julia Barduco, g1 Triângulo — Uberlândia" "GAECO investiga corrupção policial e jogos de azar em Uberlândia | Balanço Geral Minas" "MGTV 2ª edição - Uberlândia Policiais civis são presos suspeitos de receptação e corrupção em Uberlândia" Jornal Estado de Minas "Veja detalhes da corrupção praticada por policiais da PRF presos no Triângulo Mineiro Esquema investigado pela Corregedoria da PRF e pela Polícia Federal envolvia ciclo de suborno pago por motoristas e empresários" UOL - "O Ministério Público, a Polícia Militar, a Polícia Rodoviária Federal e a Receita Federal realizam nesta terça-feira (19) uma operação para prender policiais corruptos e ligados a ações de tráfico de drogas, contrabando e roubo de cargas em Minas Gerais, Mato Grosso e Paraná. Ao menos nove delegados de polícia foram presos." Essas manchetes assustam qualquer um! E estão aí, no dia a dia do país, fomentando o imaginário popular! Pobre coitada da moça! Foi escolhida! Certamente, aprendeu a lição e nunca mais vai repetir o que fez! Que dor de cabeça! Mas, e os comentários de amanhã? Merecerão a mesma tratativa? O mais acertado e justo será as autoridades competentes ajustarem o salário dos policiais, melhorar a estrutura de trabalho e garantir segurança para que o servidor público que nos protege e nos garante a segurança, tenha o reconhecimento merecido. Mas é preciso uma força tarefa antes, dentro das corporações, para retirar todas as laranjas podres que maculam a imagem de todo um grupo. Se essa limpeza não acontecer, amanhã, uma fila de gente despretenciosa continuará a difamar a polícia em qualquer rede social. E ir atrás de todo mundo acabará sendo mais uma função para polícia, que, a propósito, não receberá nenhum centavo a mais por isso.

sexta-feira, 27 de junho de 2025

A vida tem dessas coisas.

Ela era uma jovem aventureira, louca para viver os melhores anos da vida! Aliás, este deveria ser o objetivo de todos nós: viver intensamente os melhores anos da nossa vida. O trabalho, os boletos, a morte nos impõem medo, mas ainda há tempo de se encontrar o Tempo. Juliana Marins, do alto dos seus 20 e poucos anos, escalou o vulcão indonésio, sem medo, com a cara e a coragem, quis viver o desconhecido. Somos eternos adolescentes querendo experimentar o mundo! A escalada difícil, terreno arenoso e íngreme, o frio e as pessoas (frias) foram a grande primeira barreira. Cansada, pediu um tempo, mas o grupo tinha horário e um objetivo. ___Fique e descanse, depois volto para te buscar. O tempo fechado e frio, o alto, o isolamento, aparentemente, assustaram a Juliana. Ela é de carne e osso. Após a longa espera, decidiu seguir. Só e na escuridão de alvuras, pisou num banco de areia rala que fizeram ela despencar mais de 200 metros abaixo. A pancada forte e o susto a deixaram desnorteada, mas ela estava ali, visível e viva, precisando, apenas, de um resgate decente. Tem resgate na Indonésia? Teve para um homem branco e europeu alguns anos atrás. Tá certo que o tempo no dia do resgate do irlandês estava limpo, mas não podemos culpar as nuvens. Uma mulher preta e tropical estava jogada a própria sorte. Diante da morosidade do governo, a mulher foi ficando...dia após dia, abandonada, jogada, deixada. Que culpem o tempo ou o país subdesenvolvido, que culpem o guia, as companhias, o vulcão, mas não culpem a jovem Juliana Marins! Não façam isso! O medroso desdenha da coragem do outro, o invejoso desmerece o sucesso de qualquer um, a internet é um terreno seguro para quem se julga sábio, desfilando soberba de maneira prolixa. O governo da Indonésia não foi negligente, é negligente. Como cobrar desse povo? Mas sempre tem gente boa em qualquer lugar! Movido por solidariedade, o alpinista Agam Rinjani saiu às pressas de Jacarta com a sua equipe, com amor pela profissão e compaixão pela situação de abandono da Juliana, seguiu para fazer o resgate. Com luta e suor, frio e risco de sucumbir, encontrou o corpo da nossa querida. E a vida? A vida tem dessas coisas. Que a família seja confortada pela história de uma mulher brasileira, preta e destemida. É para isso que criaram a filha: para ela ser quem ela quisesse ser!

domingo, 27 de abril de 2025

Cadeia não é pra mim, meu colarinho é branco e engomado!

O que estou fazendo aqui? Não acredito! Fui presidente desse país! Fui feliz no meu Elba, na Ferrari e na Lamborghini. Esse lugar não é pra mim... Sou de família tradicional, tenho nome, dinheiro e história, não sou qualquer um. Como assim?? Eu preso?? Tenho os melhores advogados e sou amigo da corte, tenho nas mãos grandes nomes! Não...isso deve ser um pesadelo... Um Collor de Mello preso? Fernando tudo bem, tal como o Beira Mar, mas um Collor com dois éles e Mello com mais dois? Com esse tanto de L escrevo Liberdade! Liberdade ainda que tarde! Grades aos 74 do terceiro tempo? o que é isso?? tenho comorbidades! O que estou fazendo aqui? Alguém por favor me acorda! beliscão forte! Puxão no cabelo! Tapa não! Custei a acertar na harmonização. Não tem nada certo! Não sou pobre e nem preto! Não pulei cerca e nem puxei fumo, não sou de voto de cabresto! Sou homem de respeito! Vejam: nunca matei ninguém! Alguns familiares ja mataram, mas isso é coisa do passado. O que importa é o presente! Estou preso! São PC Farias: o quê você faria? Cadeia não é pra mim, meu colarinho é branco e engomado! __Ei seu guarda! Venha aqui agora!! VENHAAAA! EU ESTOU MANDANDO!! MAN-DAN-DO! TAPÃO NA PORTA! __CALA A BOCA CAÇADOR DE MARAJÁ! VOCÊ ROUBOU A POUPANÇA DO MEU PAI, DA MINHA MÃE E DA MINHA AVÓ! TENHA DÓ!

domingo, 20 de abril de 2025

Opaaa! Bão?? Meu nome é Zé!

Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, descendente de nobres ingleses. Assim se apresentava um juiz de Direito denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob acusação de usar durante todo o exercício da magistratura documentos falsos e cometer crime de falsidade ideológica. (fonte: band.com.br) Tudo começou em 1980, quando José Eduardo Franco dos Reis, cidadão de Águas da Prata, interior de São Paulo, decidiu dar um up no nome e criar mais um personagem para este mundo. Mas não era qualquer personagem não! Era um descendente da nobreza real inglesa! Que charme!! Se inspirou na literatura inglesa e caprichou: Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield. Com esse nomão cheio de pompa e circunstância, conseguiu enganar o sistema e tirar uma nova identidade. Com os documentos falsos seguiu a vida e cursou Direito na USP. Na aula sobre falsidade ideológica e crimes congêneres ele preferiu faltar. O nome de lord inglês acabou pegando e ele viu que isso era bom, trazia status e ele não era um Zé Ninguém, por mais que nunca tenha deixado de ser o Zezinho pratense, menino levado do vilarejo interiorano. Na década de 90 vem a grande virada: passa no concurso para juíz do Estado de São Paulo!!! Jesus!! O nobre é fera mesmo! Como juíz encarnou de vez um deus inglês, com direito ao chá das cinco e sotaque carregado de britanices! Julgou milhares de casos e, certamente, muitos sobre falsidade ideológica, mas, nessa hora, colocava a venda nos olhos e puxava a sorte no palito. Enganou tudo e todos por mais de 40 anos! E teria sido um crime perfeito caso não tivesse ido a uma unidade do Poupatempo...Eita Poupatempo!!! A necessidade de uma via atualizada do RG foi letal. Os tempos são outros... Quando pintou as digitais a casa caiu, ou melhor, o castelo caiu. Todos os arquivos lá de Águas da Prata foram digitalizados e o sistema acusou na hora que Edward Albert tinha alguém com as mesmas digitais andando por aí. ___Edward é o senhor mesmo? ___Yes, sir. ___Aqui consta José Eduardo... ___Como pode ser Oh My God? Nenhum ser humano na Terra repete as digitais! ___Calma meu nobre, pode ser falha no sistema... ___Certamente! Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield nunca falha!! See we later!! Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield, descendente de nobres ingleses. Assim se apresentava um juiz de Direito denunciado pelo Ministério Público de São Paulo sob acusação de usar durante todo o exercício da magistratura documentos falsos e cometer crime de falsidade ideológica. Vê se pode? O Brasil precisa, com urgência, de uma força tarefa em nomes, diplomas e afins! ___Opaaa! Bão?? Meu nome é Zé! ___Cê é fi di quem??

sábado, 22 de fevereiro de 2025

A morte do Otávio

A morte do Otávio
Morte doída e não esperada, vinda por mãos covardes que, aparentemente, estavam incipientes na criminalidade. Morte, mas morte com luta, com heroísmo! Os bandidos queriam o carro: ei-lo! Levem! Mas também queriam levar a namorada do Otávio, puxaram-na pelos braços, forçando a entrada no veículo. Queriam extorquir? Queriam estuprar? Afinal, o que queriam os jovens ladrões? As perguntas não tiveram resposta. Otávio era Homem, não era qualquer um. Jamais permitiria se assemelhar em covardia com aqueles que foram seus algozes. Lutou bravamente! Deixem ela em paz! Deixem!! Esfaqueado, ensanguentado, dolorido, rivigorado, viu os jovens bandidos fugirem, mas deixaram sua amada. Socorro a caminho. Que caminho? Otávio chegou em estado grave ao hospital, mas chegou honrado. Homem de verdade! Homem com H maiúsculo! A polícia rastreou as possíveis imagens e descobriu o paradeiro dos vitimados pela sociedade. Seriam mesmo vítimas da sociedade? Dois menores de idade! Um trabalhando como menor aprendiz e outro jogador de futebol? Como assim? Não era para estarem desocupados? Jogados ao mundo e sem alternativas? Tinham endereço e família, pai, mãe e irmãos. Dois jovens que tinham sonhos demais, mas não queriam esperar. Para adiantar seus sonhos, decidiram acabar com os sonhos dos outros. COVARDES. Todo criminoso é covarde e preguiçoso. Não tem a coragem de encarar o trabalho, não se esforça em qualquer trabalho que seja, preferem tomar daqueles que tiveram coragem de lutar com honestidade. As vítimas dessa sociedade foram os jovens assaltados. Latrocínio. Lamentavelmente, depois de dias lutando pela vida, Otávio morreu. Notícia que chegou com muita tristeza e desolação para todos nós, afinal, acompanhamos este caso com aflição e muita oração, clamando pela vida do Otávio. Ficará esse vazio na família, nos amigos, na namorada que foi salva das garras covardes dos bandidos, mas, certamente, para sempre estará na memória de todos nós como um verdadeiro Homem, ainda garoto, com uma linda estrada pela frente, que teve esse caminho bloqueado por mulecotes preguiçosos e COVARDES. Salve salve Otávio Anovazzi!

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

O discurso da bispa foi fantástico! Foi uma lavada de alma no momento mais oportuno! Momento de extremo silêncio da esquerda americana, momento de furacões no Golfo da América e no Canal dos EUA. Momento de rebuliços na Groelândia e de foguetório no Facebook, no X, na Amazon e até no Tik Tok USA Ltda! A reverendíssima bispa Mariann Budde representou o mundo inteiro com consciência política e humana: "Deixe eu fazer um apelo final, senhor presidente. Milhões depositaram sua confiança em você. E como você disse à nação ontem, você sentiu a mão providencial de um Deus amoroso. Em nome do nosso Deus, peço que tenha misericórdia das pessoas em nosso país que estão assustadas agora", disse a bispa. Trump estava na plateia com uma expressão séria no rosto enquanto ouvia o sermão. "Há crianças gays, lésbicas e transgêneros em famílias democratas, republicanas e independentes, algumas que temem por suas vidas." Budde também fez um apelo em defesa aos imigrantes — no mesmo dia em que Trump assinou medidas executivas contra a imigração no país. "As pessoas que colhem nossas safras e limpam nossos prédios de escritórios; que trabalham em granjas avícolas e frigoríficos; que lavam a louça depois que comemos em restaurantes e trabalham nos turnos noturnos em hospitais, elas — elas podem não ser cidadãs ou ter a documentação adequada. Mas a grande maioria dos imigrantes não é criminosa. Elas pagam impostos e são boas vizinhas", disse Budde. Ao final do sermão, ela fez um novo apelo em defesa dos imigrantes. "Peço que tenha misericórdia, senhor presidente, daqueles em nossas comunidades cujos filhos temem que seus pais sejam levados embora. E que ajude aqueles que estão fugindo de zonas de guerra e perseguição em suas próprias terras a encontrar compaixão e boas-vindas aqui. Nosso Deus nos ensina que devemos ser misericordiosos com o estrangeiro, pois todos nós já fomos estrangeiros nesta terra." (fonte: bbc.com ) Meu Deus! Quão profundas foram as palavras! Uma realidade jogada de modo cirúrgico, na hora certa em que a polidez de comportamento é moral, é ético, é o adequado. Seria terrível e desproporcional um revide, seria espalhafatoso, escandaloso, tiro no pé. A bispa, mulher de coragem e fé, tirou das gargantas forçadas ao silêncio tudo o que precisava ser dito, com calma, com delicadeza, com educação e a suavidade necessária de uma líder espiritual. Obrigada bispa! Ele deixou bem claro que não precisa da gente! Sigamos em paz.

No meio da noite vejo aquela coisinha se arrastando sofridamente.

No meio da noite vejo aquela coisinha se arrastando sofridamente. Um casulo ambulante, uma corrida de saco solitária e desprovida de beleza. Aliás, tive a oportunidade de ver uma foto do rostinho de uma traça, é bem fofinha, mistura de cara de pardal com galo vesgo, parece que tem penas! Quem vê, nem imagina que, se essa coisa vencer os desafios da vida pós-casulo, será uma destruidora de memórias, histórias e leituras! Até de dinheiro! Como já escrevi no passado: "Traça, bichinho da desgraça". Pois bem: elas cavam túneis numa enciclopédia, elas digerem conhecimento mas, apenas cagam. Poderiam evoluir e irem para o cerrado, vivendo como os cupins, em grandes instalações de terra e mato, mas preferem estar ao lado dos humanos e seus papéis. Na floresta tem celulose em abundância! Por que não? Campanha mundial para que as traças deixem de graça e sumam, levadas pela cadeia alimentar! Quem vai querer comer?

sábado, 30 de novembro de 2024

Até um cachorrinho rosnador chegou para roubar-me tempo!

As bodas de cerâmica chegaram! E como são lindas! Cada peça mais sofisticada que a outra. Algumas são chinesas, outras romanas ou francesas. São lindas e tem seu valor, mas nenhuma delas passa perto da sua beleza, da sua leveza ou brabeza. Minha Água é a melhor expressão da natureza! Como me alegro e sinto a felicidade em nossas paredes marcadas de águas pluviais, cada gota, cada enchente, cada inundação faz a história acontecer. Elevo meus olhos para cima em sinal de contemplação e agradecimento, cerco em volta e vejo nossas crias, um sorriso toma conta. Até um cachorrinho rosnador chegou para roubar-me tempo! Vivo grato e feliz em meio as mais lindas cerâmicas do universo galáctico!

quarta-feira, 12 de junho de 2024

__Uai, dizem que em Ribeirão tá bão de serviço...

O quarto estava semelhante a uma cela superlotada mas com a diferença de que ali havia um certo conforto. Janelas arejantes eram a principal diferença. Quarto para 4 pessoas confortavelmente instaladas e lá estavam quase 30. Era o começo dos anos 2000 e estávamos a todo vapor com a inauguração recente da Casa Santa Gemma. Muitos ex-moradores de rua tentando a sorte na Santa Gemma, lugar de dignidade e fraternidade, porque não dizer igualdade e liberdade também? Estava deitado em um canto e coberto da cabeça aos pés. Os acolhidos não sabiam que eu estava ali, afinal, meu quarto era na capela onde mantinha um tapede forrado aos pés do altarzinho de Nossa Senhora da Conceição. Então, aproveitando que estava meio camuflado, comecei a escutar as conversas aleatórias entre eles: __Cê tava no trecho? __Nada, tava trabalhando mesmo... __Que trabalho era? __Carvoeira. __Eita lasquera! Trabalho dos inferno!! __É, e nem recebi! Saí fugido e devendo...ainda bem que o Jack me achou... __O rapaizim é gente boa né?? __Demais, só estendeu a mão... Outro entra na prosa: __Mano, tô na tremura pura! __Cachaça? __Pedra! Essa desgraça não me deixa! __Uai, mas é você que tem que deixar! Tem que ter opinião! __Até tenho mas você nunca deve ter fumado pedra... __Pede pro Jack arrumar uma clínica pro cê! __Cê tá doido?? Não quero ficar preso e rezando ajoelhado!! __kkkkkkkkkkkk __Ôoo maluco! __fala. __Cê tem o trem? __Não, aqui não pode... __Foda... __Vai correr o trecho? __Uai, dizem que em Ribeirão tá bão de serviço... __Vai tá mesmo, tá cheio de feira e __Rodeio também? __Ahh vai ter! __Bora amanhã? __Bora!

terça-feira, 11 de junho de 2024

Tudo acabou em doce.

Estávamos numa espécie de centro histórico não sei de onde. Também ninguém soube de onde vieram tantas abelhas para nos picar! Foi um corre corre! Gente gritando, gente em desepero procurando qualquer lugar para se esconder. Peguei uma placa de acrílico e saí correndo tentando me proteger. Ajudei uma senhora que estava sendo consumida por abelhas e senti duas picadas certeiras no pescoço. __Obrigado seu moço!! Não foi um vampiro. Suspiro! Uma porta aberta! Vamos! Gritei. Entramos e era um grande restaurante, estava cheio mas os únicos que chegaram fugindo de um enxame foi eu e a senhorinha, coitada, toda inchada. Fomos caminhando ofegantemente até uma mesa livre, logo ali, na mesa ao lado, um homem degustava uma iguaria banhada com mel puro. Assustei. Do outro lado um casal em lua de mel! Ah! E como entrada pão de mel! Tudo acabou em doce.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2024

Amanhã devo experimentar camarão.

Uma nova engrenagem social tenta por para funcionar quem estava sentado sob as sombras. Não que seja errado sentar-se sob a sombra de quaquer coisa, o problema é não deixarem os outros também usufruírem. "A sombra é para todos", como diz aquele ditado popular. Somada à água fresca aí que as coisas ficam mais belas! Mas não adianta sombra e água fresca, é preciso variar a bebida e juntar alguns petiscos, exceto camarão pois os camarões são as baratas dos oceanos. Isso não é preconceito, mas conheço muita gente que morreu depois que comeu camarão. O sol brilha tão intensamente que seu brilho ofusca o brilho natural de pessoas que se acham o centro do universo. Pense nestas pessoas. Ok. Nossa finitude é a metáfora do que é efêmero, mesmo assim, muitos de nós preferem apenas as sombras. Viver de sombra e não aproveitar o que a luz do sol pode nos dar é colocar mais pressa nessas efemeridades. Apesar do pouco tempo de uma geração, cada segundo deve ser aproveitado ao máximo. Um segundo se faz minuto, horas e dias de bons proveitos. As experiências da vida não se fazem apenas sob a escuridão, mas passam por todos os elementos da natureza. Não não não! Sombra não é um elemento da natureza, mas depende de um para existir! Na caverna do Platão estão muitas pessoas que se cansaram de procurar a luz e preferem o aconchego da sombra, mas isso tem seu preço. Seria a alienação? Ou a tal zona de conforto? Que zona é essa gente? Muitos de nós se esforça pra chegar nessa zona para depois ter que sair? Que zona é essa? É que a zona de conforto não pode ser para sempre. É esta sombra que nos segura e daí não vivemos mais nada. De fato, precisamos nos aventurar! Amanhã devo experimentar camarão.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Deram a poltrona do papai para o capeta

O triste 8 do 1. Dia que entrou para história do Brasil como um dos momentos mais repugnantes e insólitos, digno de ser recordado como o dia em que um monte de gente trajando camisetas da seleção brasileira de futebol decidiu quebrar tudo achando que a quebradeira causaria a restituição do poder aos fascistas e emergúmenos. Vale lembrar que esse mesmo povo já havia ficado exposto às intempéries na porta dos quartéis Brasil afora e estava cheio de mágua e cançaso, depois de marcharem em vão, dormindo em colchonetes e comendo pão com carne moída, sentiram na pele a experiência de ser pobre em um assentamento 5 estrelas. Até os banheiros eram unissex. Já pensou? Dia de gente frustrada e perdida, derrotada e cega. Quase todos de uma classe média alta inconformada com a vitória da democracia. Os pobres que estiveram naquela investida maluca continuam atrás das grades. Parabéns pra eles! Estão aprendendo da forma mais justa sobre consciência de classe. O Brasil não voltará para uma experiência militarizada pois todos sabem que foi um tremendo fracasso. Período terrível de corrupção e endividamento, além da perseguição política, tortura e tudo que fez da época um verdadeiro declínio democrático e humano. O 8 do 1 é para não esquecermos que existiram pessoas capazes de continuar apoiando uma figura patética apesar de todos os pesares. Patética, irresponsável e fracassada em seus propósitos, se é que tinha algum pois o que presenciamos em 4 terríveis anos foi um vergonhoso nada. Defesa da vida foi o que menos vimos, defesa da família? Só a dele. Defesa da pátria? Só vimos declarar amor para os EUA. Temor a Deus? Rá! Um cara que imita uma pessoa morrendo de COVID não tem temor a Deus, mas zomba da sua criação. Falando em Deus, como teve evangélicos e católicos radicais apoiando a morte, o linguajar chulo e todo tipo de patifaria anticristã! Esse povo fez as igrejas se envergonharem. Semearam e multiplicaram as mentiras via whatsapp, deram fala e crédito às tolices, levaram para suas salas o pior do ser humano e acharam tudo muito justo, pois lutavam contra a terrível ameaça comunista. Enfim, deram a poltrona do papai para o capeta. Agora que essas insanidades ficaram no passado, creio que podemos deixar o 8 do 1 como única coisa para se recordar dessa quadrilha que esteve no poder de 2018 a 2022. O deprezo pela coisa pública, pela vida, pela democracia, pelas autoridades constituídas e pela arte. Adeus para nunca mais.